CURADORES DAS COLEÇÕES ETNOGRÁFICAS (SEE)

João Pacheco de Oliveira (2000-atual)

 Ingressou no Museu Nacional como professor-assistente em 1978, como primeiro colocado em concurso realizado para a disciplina de Etnologia no ano anterior. Desde a sua posse colaborou intensamente com as atividades do SEE. A convite de Heloísa Fenelón constituiu uma equipe de pesquisa, que compunha o sub-projeto "Corpus Etnográfico do Alto Solimões", investigando mais especificamente as coleções Ticuna do SEE e formando novas coleções por meio de pesquisa de campo. Este sub-projeto integrava o projeto geral do SEE, intitulado "Artesanato e uso social da Tecnologia", coordenado por MHFC e contando com patrocínio da FINEP/MCT. Atuou como sub-coordenador do projeto e do SEE. Em 1998, passando a condição de professor titular da disciplina Etnologia no âmbito do DA, veio a assumir a curadoria científica das coleções etnográficas e a chefia do SEE, em substituição ao prof. Helio Vianna, licenciado para o término de tese de doutoramento. Atuou em sintonia com a técnica Fátima Regina Nascimento, que concluiu sob a sua orientação tese de doutoramento no PPGAS, e que atuou até 2011 como curador-técnico, função extinta com a ampliação e transformação da equipe. Fez pesquisa de campo prolongada com os índios Tikuna, do Alto Solimões (Amazônia), da qual resultou sua dissertação de mestrado (UNB, 1977) e sua tese de doutoramento (PPGAS, 1986), publicada em 1988. Realizou também pesquisas sobre políticas públicas, coordenando um amplo projeto de monitoramento das terras indígenas no Brasil (1986-1994), com apoio da Fundação Ford. Orientou mais de 80 teses e dissertações no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), voltadas sobretudo para povos indígenas da Amazônia e do Nordeste.
Atuou como professor-visitante em alguns centros de pós-graduação e pesquisa no Brasil (UNICAMP, UFPE, UFBA e Fundação Joaquim Nabuco e UFAM) e no exterior (Universidad Nacional de La Plata/Argentina, Università di Roma/La Sapienza, École des Hautes Études en Sciences Sociales/Paris, Universidad Nacional de San Martin/UNSAM/Buenos Aires e Institute des Hautes Études de l`Amérique Latine/;IHEAL/Sorbonne Nouvelle/Paris 3).
É pesquisador 1A do Conselho Nacional de Pesquisas/CNPq e bolsista FAPERJ do Programa Cientista do Nosso Estado. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia/ABA (1994/1996) e por diversas vezes coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas.
Junto com lideranças indígenas foi um dos fundadores do Maguta: Centro de Documentação e Pesquisa do Alto Solimões, sediado em Benjamin Constant (AM), que deu origem ao Museu Maguta , premiado pelo ICOM (1996) e administrado hoje diretamente pelo movimento indígena.
Concebeu e organizou a exposição Os Primeiros Brasileiros, relativa aos indígenas do Nordeste, exibida em Recife (2006/7) e sucessivamente em Fortaleza, Rio de Janeiro, Natal, Salvador, Brasília e em Córdoba, Argentina, atingindo um público de mais de 270 mil visitantes. Esta exposição está ora em exibição no Arquivo Nacional (RJ).

 

Helio Vianna (1996-1999)

Após o falecimento de Heloísa Fenelón, o prof. Hélio Vianna, contratado pela UFRJ através de concurso realizado em anos anteriores, assumiu a curadoria por cerca de três anos, ao final dos anos 1990. Sua curadoria teve como marca o interesse em coleções afro-brasileiras e africanas, sendo este o foco especial de sua atividade. Com graduação em Arqueologia (UFRJ, 1986) e Letras (UFRJ, 1974), mestrado em História Social (UFRJ, 1992) e doutorado em Antropologia Social (UFRJ, 1999), deu prosseguimento a sua atividade de pesquisa através de tese de doutoramento no PPGAS/MN/UFRJ "Somos uma Montanha!: Oralidade, sociedade letrada e invenção de tradições no candomblé carioca do século XX", para cuja conclusão dedicou-se em caráter exclusivo, desligando-se da curadoria. Posteriormente, em função de graves problemas de saúde, veio a falecer.

 

Heloísa Fenelon (out 1964-1996)

Maria Heloísa Fénelon Costa nasceu em 1927 no município de Campo Grande, à época estado de Mato Grosso. Cursou a graduação em Pintura na Escola Nacional de Belas Artes (1949-1953), Universidade do Brasil (UB), como então era chamada a UFRJ. Em 1956 ingressou no Curso de Aperfeiçoamento em Antropologia Cultural, no Museu do Índio, sob a direção de Darcy Ribeiro. Em 1958 foi contratada pela Universidade do Brasil para o cargo de naturalista do Museu Nacional, trabalhando no Setor de Etnologia por quase quarenta anos. Ali atuou também no cargo de antropóloga (1960); foi responsável pelas coleções etnográficas (1964-1996), função que passou a ser chamada de curadoria; foi professora adjunta (1969-1986) e professora titular (1986-1995). Em 1974 foi aprovada no concurso de Livre Docência da Escola de Belas Artes, lecionando a disciplina de História da Arte. Em 1985 colaborou na criação do Curso de Mestrado em História da Arte, também na Escola de Belas Artes. Ao longo da carreira, realizou vários trabalhos de campo, principalmente entre os Karajá (Ilha do Bananal, rio Araguaia) e os Mehinaku (Alto Xingu), produzindo importantes estudos antropológicos e teses sobre estes povos. Realizou ainda trabalhos de campo em casas de candomblé do Rio de Janeiro (década de 1980) e no Japão (1995-1996), sua última atividade de pesquisa. Como curadora, destacou-se pela reorganização do antigo depósito das coleções etnográficas, transformando-o em uma reserva técnica; e pela coordenação de várias pesquisas de campo nas regiões do Alto Xingu, Araguaia, Alto Solimões, Rio Negro e no estado do Rio de Janeiro, no âmbito dos projetos Etnografia e Emprego Social da Tecnologia (1977-1981) e Emprego da tecnologia em sociedades tribais e populações regionais(1981-1988). Sua carreira foi caracterizada pela valorização da arte e dos objetos de cultura material como referências analíticas da pesquisa antropológica, orientando mais de cinquenta pesquisadores, entre graduandos e pós-graduandos. Heloisa Fénelon faleceu em 1996.
Ver também sobre Maria Heloísa Fenelón o texto produzido por Luiz de Castro Faria|

 

Luis de Castro Faria

Mestre de várias gerações de professores e especialistas no vasto campo da Antropologia, o Professor Luiz de Castro Faria começou a sua trajetória profissional em 1938, participando, como representante do Museu Nacional e do Conselho de Fiscalização das Expedições Artisticas e Científicas – CFE –, da última grande expedição etnográfica do século XX, a Expedição à Serra do Norte, chefiada por Claude Lévi-Strauss. Desde 1936 era "praticante gratuito" do Museu Nacional, quando finalizava também o curso sobre Museus, onde ministrou seus primeiros seminários sobre etnografia, arqueologia e antropologia física. Teve também intensa participação nas atividades culturais da cidade, participando do círculo de intelectuais (em torno de Rodrigo Mello Franco de Andrade) ou fundando o Movimento Social Brasileiro, onde deu seus primeiros cursos sobre literatura brasileira. Dedicou-se durante quase todo o século XX à antropologia brasileira.
Nos anos 1940 e 1950 trabalhou intensamente em pesquisa de campo, tendo viajado por quase todo o litoral brasileiro, do Sul ao Nordeste, e pelo Brasil-Central até a Amazônia. Estudou principalmente a cultura social e econômica, atendo-se às diferenças geográficas. Sua metodologia no campo foi a antropologia ecológica, que ele classificou também de Sistemas Econômicos Indígenas, Etnologia Regional e Arqueologia. Na verdade, muito fez pela arqueologia.
A vida profissional foi reconhecida, igualmente, pelo trabalho antropológico, tão sério quanto combativo, e pelo trabalho como professor e orientador de muitas teses. Esse reconhecimento deu-lhe o título de Professor Emérito das duas universidades às quais serviu, a Universidade Federal Fluminense (1979) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1984), além da medalha de Honra ao Mérito Científico, concedida pelo Presidente da República em 1999, e de outras inúmeras homenagens. Foi exemplo de seriedade intelectual e dignidade pessoal, que sempre transmitiu para seus alunos e colegas. Decano da antropologia brasileira, foi fundador e grande incentivador dos cursos de Antropologia da Universidade Federal Fluminense e de Antropologia Social no Museu Nacional.
Castro Faria pronunciou centenas de palestras e conferências, organizou e presidiu simpósios, seminários, congressos. Vários dos seus pronunciamentos estão reunidos nos dois primeiros volumes de Escritos Exumados. As suas aulas sempre foram famosas e atraíram alunos do país inteiro e também de diferentes ciências que não somente da antropologia. Foi fundador e o primeiro presidente da Associação Brasileira de Antropologia (1954-1956) da qual nunca se desligou. Foi membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, da Sociedade Brasileira de Genética, da Sociedade Brasileira de Anatomia e da Sociedade Brasileira de Geografia. Dentre as associações estrangeiras pertenceu à American Anthropological Association, USA; ao Royal Anthropological Institute of Great Britain e Ireland; à Societé d'Anthropologie de Paris, à Societé d'Ethnographie Française; à American Association of Physical Anthropology e à Assotiation Latino Americana de Sociologia – A.L.A.S.

Castro Faria nasceu em 5 de julho de 1913, em São João da Barra, no norte do Estado do Rio de Janeiro e morreu, em Niterói, em 16 de agosto de 2001.

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