Cetáceos


Os cetáceos são os mamíferos mais adaptados ao ambiente aquático, vivendo nos mares, oceanos, e até mesmo nos ambientes de água doce de todo o planeta. São excelentes nadadores, apresentando um corpo fusiforme, que lembra o de um peixe. No entanto, são mamíferos. Amamentam seus filhotes e respiram por pulmões, o que os obriga a subir à superfície de tempos em tempos para obter oxigênio. Mesmo assim, têm capacidade para ficar muito tempo submersos, sem respirar. Suas narinas são posicionadas no topo do crânio e se conectam ao exterior através dos espiráculos. Durante a respiração, um jato de vapor d’água misturado com água é lançado dali.

Existem hoje cerca de 86 espécies de cetáceos, divididas em dois grupos: Mysticeti e Odontoceti. Os Mysticeti (sem dentes) são as “baleias propriamente ditas”, todas marinhas. São exemplos a Jubarte, a Franca e a Baleia Azul. Os Odontoceti (com dentes) reúnem animais como os golfinhos, os botos, as orcas e os cachalotes. Neste grupo há algumas espécies de água doce.

1 - Classificação

Existem hoje cerca de 86 espécies viventes de cetáceos, divididas em dois grupos: Mysticeti e Odontoceti.

Os Mysticeti incluem 17 espécies de “baleias propriamente ditas”, todas marinhas. São exemplos a Jubarte, a Franca e a Baleia Azul. Este é o maior animal vivente na Terra, atingindo até 30 m de comprimento e 170 toneladas de massa. As baleias Mysticeti não possuem dentes. Em seu lugar estão placas filamentosas de queratina (mesma substância das nossas unhas), usadas para filtrar o zooplâncton, que é a sua fonte principal de alimento. Os Mysticeti possuem dois espiráculos no topo da cabeça.

Os Odontoceti reúnem os animais com dentes, como os golfinhos, os botos, as toninhas, as orcas e os cachalotes. É o grupo mais numeroso de cetáceos, com 73 espécies. Apesar da grande maioria ser habitantes dos mares e oceanos, sete espécies vivem em água doce (cinco na Ásia e duas na América do Sul). O tamanho dos Odontoceti varia de 4,5 m até 20 m, sendo o cachalote o maior representante desse grupo. São predadores carnívoros, e seus principais alimentos são peixes e lulas. As orcas podem predar, também, outros mamíferos, como focas. Apresentam um único espiráculo no topo do crânio.

2 - Nadadeiras

Os membros anteriores dos cetáceos são modificados como nadadeiras e, junto com a cauda, são responsáveis pela locomoção do animal na água. Os membros posteriores são extremamente reduzidos (vestigiais), ficando escondidos dentro do corpo. Durante a história evolutiva dos cetáceos (de cerca de 50 milhões de anos), os membros posteriores foram diminuindo de tamanho, até restaram apenas elementos ósseos muito reduzidos na região pélvica, que não são conectados à coluna vertebral. Apesar de muito reduzidos, tais ossos ajudam na sustentação da musculatura do pênis dos machos. Na cauda, uma potente nadadeira se bifurca horizontalmente em dois lobos carnosos achatados. Esse padrão é diferente do observado nos peixes, cujos lobos da nadadeira caudal se posicionam verticalmente.

3 - Evolução

Uma das mais fascinantes histórias evolutivas dentre os animais vertebrados é a das baleias e demais cetáceos. Os primeiros fósseis de baleias foram encontrados em 1912. Eram restos de um animal marinho de cerca de 15 m, com crânio e corpo muito alongados mas que ainda tinha pernas. Esse animal nomeado Basilosaurus (do grego, rei dos lagartos) viveu há cerca de 40 milhões de anos, no período Eoceno. Na época de sua descoberta foi confundido com um grande réptil. Rapidamente compreendeu-se que o Basilosaurus era um mamífero, representante do grupo dos cetáceos. Este fóssil preencheu a primeira lacuna paleontológica da história evolutiva do grupo, mas muito ainda havia que ser elucidado.

Além dos paleontólogos, outros cientistas, como geneticistas e zoólogos, buscavam desvendar o enigma das baleias. Na década de 1950 foi comprovado que proteínas presentes no sangue das baleias eram mais semelhantes às encontradas no sangue dos artiodáctilos - grupo que inclui os bois, porcos e hipopótamos - , do que em qualquer outro grupo de animais. Foi uma descoberta muito intrigante que trouxe uma nova luz à busca pela origem dos cetáceos. Assim, emergiu a hipótese de que artiodáctilos e cetáceos compartilharam um ancestral comum antes de 50 milhões de anos e que, depois disso, cada grupo seguiu sua evolução, um na terra e o outro cada vez mais se adaptando à vida na água.

Outras importantes descobertas paleontológicas ocorreram a partir do final da década de 1970, vindas, principalmente do Paquistão, em rochas que, há cerca de 50 milhões de anos, foram depositadas no litoral de um grande mar chamado Mar de Tétis. Entre eles, estão o Pakicetus, descrito em 1981. Era um animal terrestre, mas que deveria se aventurar na água para caçar. O que mais chamou atenção dos paleontólogos, foi a estrutura óssea que aloja o ouvido interno do Pakicetus, na forma de uma concha em S, só encontrada em baleias e golfinhos atuais. Nestes animais, assim como em Pakicetus, os ossos que formam o ouvido são desconectados do restante do crânio e ficam alojados nessa concha, o que permite eficiente audição embaixo d’água.

Na década de 1990, Ambulocetus se somou ao quebra-cabeças dos cetáceos. Tinha a mesma estrutura do ouvido de Pakicetus, mas suas pernas já não eram muito funcionais em terra. Era um animal aquático que deveria nadar como uma lontra. Uma outra questão interessante revelada pelos fósseis de Pakicetus e Ambulocetus foi a estrutura dos seus tornozelos. Os ossos que formam a articulação do pé são muitos semelhantes aos dos artiodáctilos, reforçando o que as proteínas já haviam sinalizado anteriormente. Hoje, é consenso entre os cientistas que os parentes mais próximos das baleias são, de fato, os artiodáctilos, especialmente o grupo dos hipopótamos. Isso é atestado não só pelo registro fóssil como também por análises mais sofisticadas de DNA. Tanto é que cetáceos e artiodáctilos são incluídos em um grande grupo denominado Cetartiodactyla.

Muitos outros fósseis ajudaram na reconstituição da história evolutiva dos cetáceos, permitindo saber que há cerca de 40 milhões de anos os membros do grupo se tornaram obrigatoriamente marinhos, com pernas cada vez mais reduzidas e narinas posicionadas no topo da cabeça, e desenvolvendo um corpo cada vez mais hidrodinâmico. As duas ordens modernas, os Odontoceti (formas com dentes onde está o Cachalote) e os Mysticeti (formas com barbatanas), se separaram cerca de 34 milhões de anos atrás, cada uma seguindo a sua própria história evolutiva e se dispersando pelos oceanos, e alguns até em ambientes de água doce, de todo o planeta.